4 Semana de Moda de Curitiba

Durante os dias 22 a 28 de outubro Curitiba se encheu de cor, música e arte.

A partir do dia 25 o Museu Oscar Niemeyer foi a ponto onde os mais diversos estilistas, estudantes de design de moda, fotógrafos, músicos, e envolvidos se uniram para compor o cenário multicultural da 4 ª edição da Semana de Moda de Curitiba. Diferentemente das usuais exposições, o local deu espaço ao palco e a passarela para refletir mais uma face da cidade.

Os desfiles foram divididos em 3 passarelas, as conhecidas P1, com as grandes marcas comerciais, a P2, com o que há de novo no cenário local e a estreante P Arte que deu espaço aos criadores da moda conceitual repleta de influências artísticas.

O FashionPuc participou dos desfiles e em fotografias e pequenos relatos irá expor os maiores acontecimentos.

Fique atento!

Foto: Rodrigo Novack

Foto: Rodrigo Novack

relatório cinzento

por Saulo Schmaedecke

Hoje, lá pelas 19h30, desde que conversei com uma amiga sobre a repentina ruína em seus negócios, minha mente não conseguiu mais separar as trevas que envolvem o campo da moda em Curitiba e no Brasil, e a isso dedico minha escrita . Até agora não consigo deixar de pensar na crueldade com que são arrancados os talentos locais para fora daqui. Frágeis laços com a própria terra que quando submetidos ao rigor da indústria são obrigados a quebrar.

A marca da minha amiga foi um sucesso, público eufórico pelas peças com recortes a laser e desejáveis nos tecidos nascidos em laboratórios que investem muita grana em pesquisa.

Grana é a única linguagem que o mundo inteiro parece entender.

Alguns pensadores acreditam que as personalidades são definidas no território em que as transações financeiras acontecem e até onde essas fronteiras econômicas definem as atitudes de uma nação.

Em moda estuda-se algo chamado comportamento.

Requer observação científica do indivíduo, seus hábitos, sua cultura e mais uns seiscentos etcéteras – o importante aqui é dizer que a coisa toda vai além dos panos que cobrem os corpos. Os objetos de estudo estão por todos os lugares, eles estão nas práticas políticas, na arte, na decisão de diversos profissionais sobre qual é o design mais adequado para o prato que leva a comida de todo santo dia, aí na sua geografia. Basicamente, podemos dizer que a moda como sistema compreende as séries de novidades que as civilizações adotam.

Todo dia é o dia do novo.

E nem o antigo escapa.

Há pouco tempo as informações passaram a fluir numa velocidade incessante, em aparelhos eletrônicos bem pequenos e às vezes muito inconvenientes. Ainda não aprendemos a administrar direito a brilhante ferramenta que a tecnologia concebeu. A internet foi capaz de desmanchar as barreiras entre os lugares em que de fato acontecem as novidades e o resto do mundo.

Nas bancas de revista, imagens coloridas e irreais impressas pela gráfica que fechou o melhor contrato, os olhos se cruzam em séries que vão de 1,99 à 19,90. Sabemos que a moda não é levada a sério, desde que Platão diferenciou a realidade e as aparências e “moda é pura superfície”. A insatisfação dos profissionais da moda é propagada aos ventos, um setor não respeitado no cenário nacional apesar de pertencer à programação mental de todo cidadão brasileiro.

Olhando o mapa, uma figura aparentemente estática, vejo que o Brasil tem um apego ao retrô e se comporta da mesma maneira em seus 500 e poucos anos: dando.

Como uma vadia.

Ó pátria amada!

Um gerúndio avassalador que expressa a paralisia de um país, dói dizer, gigante pela própria natureza. Consumida pelo indecente Custo-Brasil, a indústria têxtil faturou 67 bilhões de Dilmas em 2011, sete bilhões a mais que o ano anterior. No setor, estima-se o investimento de dois bilhões. Mesmo assim, é o segundo maior empregador da indústria de transformação.

Os grandes terrenos onde são construídas as fábricas de tecelagem empregam a vida, o tempo e a felicidade de mais ou menos oito milhões de brasileiros, direta ou indiretamente.

Muitos desses são jovens em seus primeiros empregos, recentemente formados por cursos técnicos profissionalizantes.

Nossa má-educação.

Situação lamentável.

Mas sujeita a alterações.

Depende de quanto repercutimos o escândalo.

(considere esse texto como a jaqueta de couro indispensável na vestimenta da sua rede social)

Bem, o discurso da moda se alastra pela grande mídia. Passa despercebido no meio da fórmula que mistura o novo corte de cabelo da apresentadora do noticiário sanguinolento ao roteiro tentador de novelas e suas propostas de estilos de vida cada vez mais próximos das ruas, do transporte coletivo e do bolso do consumidor.

Costureiras e alfaiates desvalorizados envelhecem e levam na aposentadoria o DNA de uma grife. Os poucos jovens que se dedicam ao chão de fábrica entram na complicada engrenagem entre o ensino e o mercado de trabalho e só conseguem reproduzir a anemia educacional, incapazes de formular pensamento e comunicação.

A importância da roupa é esquecida, pois ela é tão perecível quanto o tempo. Vale mais investir na cultura do carro, num camaro amarelo, na independência quitada em 68 parcelas. Vale investir num sonho de consumo que é tão simples e cabe numa palavra: mobilidade.

Dear Dilma, o que são oito milhões de brasileiros empregados para você? Só mais uma linha de uma grande tabela de exigências? Invista em grandes parcelas, pra você receber daqui uns vinte anos diversas cartas de cidadãos educados em seu governo.

Certamente algum deles costurou os tecidos que formam sua calcinha.

Que o Custo-Brasil se transforme num Custom-Brasil, uma plataforma econômica customizada, enriquecida pela colaboração entre amadores, profissionais e pesquisadores de um campo que é a vitrine do pensamento global.

PALESTRA SOBRE GESTÃO DA IMAGEM COM SYLVIA CESARIO PEREIRA

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Nesta terça feira,04, quem marcou presença na Semana Acadêmica de Moda, falando sobre consultoria de imagem, foi Sylvia Cesario Pereira.

 Com simpatia e interação com o público, Sylvia falou sobre seu método de trabalho humanizado e positivo, sempre priorizando o cliente, analisando sua personalidade e traduzindo – a em seu modo de vestir.

 Sylvia ainda compara o profissional de moda com o consultor de imagem. Ela diz que não segue tendências nem liga para marcas, e prefere trabalhar com poucas peças que se completem com o  básico, satisfazendo o cliente com praticidade e estilo no dia-a-dia.

Ela ainda fez um exercício com proporções do corpo, mostrando alguns truques, onde o público pode participar.

Quem quiser saber mais sobre a Sylvia consulte o site sylviacesariopereira.com.br

 

Por Caroline Novak

 

Começa a Semana de Moda na PUCPR

A Semana Acadêmica de Moda na PUCPR começou na segunda feira, 01, reunindo os alunos em workshops e palestras. A programação conta com a presença de Sylvia Cesario Pereira, Nina Almeida Braga, Sérgio Sudsilowsky, Marcio Alek, Cris Bemvenutti, Sérgio Povoa Pires e Claudia Stenger.

 

No Bloco Vermelho acontece uma feira com produtos feitos pelos alunos, que montaram barracas aproximando suas produções pessoais do público, divulgando seu trabalho. Na quinta-feira (04) haverá um bazar de troca e venda no hall do bloco, com início às 18h.

 

Está também em exposição o trabalho produzido pelos alunos do segundo período de Design de Moda, com o tema Indumentária. E pode ser visitado no saguão do Bloco Azul.

 

A ÓTV faz a cobertura completa do evento, e no seu início entrevistou a coordenadora do curso de Design de Moda, Camila Teixeira.

No último dia de evento, sexta feira (05), acontecerá às 20h um desfile com as criações dos alunos da graduação de Design de Moda da PUCPR. O tema desta edição é “Retalho”, onde os jovens devem se inspirar e produzir peças que serão julgadas por juízes especialistas em moda.