Quando uma modelo diz a verdade e a mídia se revolta

Reportagem e edição: Hellen Albuquerque

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Cameron Russell é modelo há 10 anos.

É angel da Victoria’s Secret e já desfilou para marcas como  Prada, Balmain e Louis Vuitton.

Ela é também acadêmica de economia e ciências políticas pela prestigiada Universidade de Columbia, em Nova York. E acredita que ser destemida, neste momento, é ser honesta.

Foi assim que ela iniciou sua palestra esclarecedora de 9 minutos no TEDx series of talks. Respondendo de uma forna nada usual as perguntas que sempre fazem às modelos. Segundo Cameron, ela teve sucesso nessa profissão por ter “ganhado na loteria genética” e ser “beneficiária de um legado”, legado este de opressão de raça e gênero. A beleza descrita é branca, magra, alta e esguia. Exatamente como Cameron é.

“Eu estou nesse palco, porque eu sou uma mulher branca e bonita, e na minha indústria nós chamamos isso de uma ‘garota sexy’”.

A Vogue é uma das principais publicações mundiais quando se trata de jornalismo de moda. Leitura obrigatória dos que aspiram em trabalhar na área, influencia diversas gerações, não apenas de compradores, mas como também de produtores do meio.  Na versão brasileira, da revista originalmente norte americana, a palestra dada por Cameron foi relatada com diversas descontextualizações, desmerecendo o relato da modelo e o chamando até mesmo de “infame”.

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A grande questão é: ela falou alguma mentira?

Infame é sinônimo de desacreditado, sem honra, irrelevante e indigno.

Quando alguém que apenas tem a ganhar com sua profissão admite que, na verdade, nada disso é justo lhe falta dignidade? Ao meu ver, continuamente intrometido, refletir sobre a sociedade em que se vive é um dos passos para que ela seja transformada.  Questionar, descordar e principalmente, alertar os que desconhecem as verdades sobre o assunto são ações daqueles que de alguma forma serão agentes transformadores em seu meio.

O jornalismo, ao menos na teoria, se personifica na busca pela verdade. Quando uma modelo diz a verdade e é a mídia quem se revolta, o que esta mídia está realmente buscando?

Você pode ler este e outros posts no Blog Indumentária. 

Porque eu e você não nos achamos tão bonitos assim

Por Hellen Albuquerque

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Começou quando eu tinha uns 7 anos. Eu queria a Barbie, queria ser como ela. Afinal, que menina dessa idade anos não quer? Tingi meu cabelo pela primeira vez. Mechas loiras por todo o meu cabelo naturalmente escuro. “Como sua mãe deixou?!” Desde cedo tinha opiniões muito fortes (uma criança terrível. Nem a Super Nanny conseguiria me impedir) e meu cabelo acabou cortado em Chanel, ficando forçadamente liso pelo pente. Eu agora tinha uma cabeleira desforme, nem enrolada, nem lisa, muito menos controlada. Foi aí que começou.

A Barbie foi minha primeira referência de beleza e espero que você concorde comigo: uma referência colocada à nossa disposição desde muito, muito cedo. Cedo demais.

E não apenas isso. A Barbie é loira, cabelos longos, magra e, ainda assim, cheia de curvas, heterossexual e muito bem casada com o Ken. Perfeita, alguns diriam. Opressora, eu contestaria.

Cresci assistindo à MTV durante a tarde e filmes de comédia romântica à noite. As mocinhas, tanto as que cantavam quanto as que atuavam, insistiam em manter o padrão Barbie de ser. Aqueles fios lisos e dourados me encantavam, mas eu jamais poderia ser loira. Só por parte de pai tenho ascendência árabe, portuguesa e mexicana. Sou daquelas morenas que não têm cor de uma origem só – somos muitas, fique atento! Sou uma completa mistura de etnias. E qual brasileiro não é uma salada de culturas?

Eu adorava ler qualquer coisa, até bula de remédio. Lógico que revistas de moda, beleza e comportamento caíram em minhas mãos. Eu vivenciei o lançamento da Atrevidinha, revista pêndulo da Atrevida, voltada para pré-adolescentes (tenho a edição número 1 ainda, estou esperando virar raridade pra vender e ficar milionária).

Entre as dicas de como saber se o guri da escola está afim de você e como dar seu primeiro beijo sem passar vergonha (como se isso fosse realmente possível),apareciam entre as páginas coloridas diversas meninas, brancas, loiras, com um corpo nem um pouco correspondente à idade do público. Eram ditas também as melhores formas de se usar uma saia rodada, o jeito certo de colocar as botas, a camiseta colorida mais legal do verão – que você tinha que comprar!

Aos 13.

Meu cabelo já era rosa, as mudanças quanto a isso (cor do cabelo) eram sempre constantes. As meninas da escola já eram bem maiores que eu, com corpos praticamente todos formados. Eu era a tábua de passar roupa. Magrela. reta.

Lógico que tentei engordar. Da mesma forma que eu lutava contra a natureza do meu cabelo o fazendo ficar liso, lutava contra a natureza do meu corpo, tentando fazê-lo mais curvilíneo, digamos assim.

Pratiquei diversos esportes (até wrestiling), comi que nem um avestruz durante anos. Nada. Nem um quilo a mais. Fiquei super saudável, mas não é bem o que estamos procurando, não é?

Não se engane, é difícil para todo mundo entrar em um jeans tamanho 36. Seja por ter muita ou pouca carne.

Feira de ciências na escola.Qual o meu tema? Mulheres que mudaram a história da humanidade (tenho a parte teórica desse trabalho guardada até hoje, me julguem). Entre a mãe de Jesus, uma aviadora e uma cientista. Acabei conhecendo Simone de Beauvoir.

Foi só em 2007, quando entrei no ensino médio, que revolucionei a cabeleira. Meu cabelo liso, que chegava abaixo da minha cintura, virou um repicado na altura das orelhas.

Que libertação!

Fui conhecendo e aprendendo mais e mais sobre o feminismo (se você acha que isso significa que eu odeio homens, acho que as mulheres são as melhores e quebro tudo quanto é estatua de santo por aí, vai ler a wikipedia, saber como são as coisas de verdade e depois volta pra cá). O que eu posso dizer é que mudou minha vida. Piegas, eu sei. Me desculpe, assisti a muitas comédias românticas.

A verdade é que nós queimamos sutiãs todos os dias. Quando estamos dois quilos acima do peso ideal (que simplesmente não existe, admita) e colocamos aquela legging da estação passada, sobra um pouquinho de um lado e de outro, mas tudo bem. Quando a gente se olha no espelho e resolve usar o batom que todo mundo fala mal, só porque gostamos da cor. Quando compramos uma blusa estampada que não deveríamos usar, porque blablabla

Hoje eu tenho cabelo curto e enrolado. Sou morena, magricela e adoro assistir Tarantino. Final feliz. Mas se a mídia, a moda, os blogs tanto a oprimiram – você me diz – por que você escreve sobre isso agora?

Para que as coisas mudem, eu respondo.

Texto originalmente publicado em Blog Indumentária.

Na Batucada da Vida

Ser inspirado por Carmen Miranda, um dos maiores ícones da música brasileira, que encantou com sua voz e gingado contando ao mundo o que a baiana tem. Tropicalismo, mix de estampas, cores vibrantes e grande número de acessórios são algumas … Continuar lendo

Fashion Challenge: Resultado!

Por Bruna Morais

Com certeza para três “calouros” da moda a semana vai começar muito mais doce, mas também com uma pitadinha de euforia. Todos esses sentimentos se explicam ante o resultado da segunda edição do Fashion Challenge, competição de confecções de croquis baseados em vários temas.
Cinco jurados foram responsáveis pela escolha dos vencedores, seus critérios foram basicamente a estética do desenho, adequação ao tema e é claro, a originalidade. O estilista Ícarus Folli, idealizador do projeto, enfatizou a importância desse traço único no artista: “Tivemos alguns probleminhas com pessoas que não saíram muito da ‘zona de conforto’, pois um dos pontos principais do FC é sair dela”.

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Os jurados valorizaram muito a individualidade de cada participante. A co-criadora do projeto Paula Marinho, estudante de moda da Faculdade Camões, disse que cada participante a surpreendeu, todos tinham um diferencial, fazendo com que ela reconhecesse o desenho no instante que o visse.

Paula Marinho é Design de Moda.

Paula Marinho é Designer de Moda.

Outra jurada experiente e exigente foi Cristina Costa, que além de professora de Desenho e Ilustração da Moda na Faculdade Camões é empresária do ramo. Ela disse que os vencedores foram bem detalhistas e minuciosos nos acabamentos de seus croquis, e isso com certeza lhes rendeu a vitória.

Cristina Costa é professora de Desenho de Moda e empresária da área.

Cristina Costa é professora de Desenho de Moda e empresária da área.

Para a apreciadora de moda e jurada Lycia Alves, os croquis que mais lhe agradaram também tinham um acabamento estético bem elevado. A última jurada foi Hellen Albuquerque, que faz cobertura jornalística dos principais eventos de moda curitibanos e é também fundadora do Fashion Puc. Ela ficou muito impressionada com a criatividade dos aspirantes a estilistas, “o que mais me chamou atenção foram aqueles que conseguiram ser fiéis ao tema proposto, mas fugiram do comum”, disse.

Hellen Albuquerque faz cobertura jornalística dos principais eventos de moda em Curitiba.

Hellen Albuquerque faz cobertura jornalística dos principais eventos de moda em Curitiba.

Entre os jurados, há um afeto, um carinho com a competição e os competidores muito grande. A própria Paula Marinho disse que que o objetivo é incentivar os talentos escondidos por aí, e Cristina Costa completou dizendo que é bom ter contato com pessoas que gostam de expor a sua arte e suas ideias. Todos os jurados colheram coisas boas do FC, claro que sentiram a pressão de julgar, mas também se sentiram-se desafiados e abraçaram o projeto. Agora eles esperam pelas próximas edições, que prometem temas tão fortes quanto o desta edição, e com novos talentos, claro!
O vencedor foi presenteado com o livro “Fashion Now” e teve seu trabalho divulgado em três blogs, Fashion Puc, Dicas da Pri e Uma luz no fim do Closet, sem contar o reconhecimento dos artistas.
Para terminar, parabéns aos vencedores e sucesso sempre!

1° Diana dos Santos com média 6,0;
2° Robson Oriole com média 5,5;
3° Ana Paula de Miranda com média 4,0;

Em breve um texto exclusivo com a ganhadora do concurso. Fique atento!