Quando uma modelo diz a verdade e a mídia se revolta

Reportagem e edição: Hellen Albuquerque

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Cameron Russell é modelo há 10 anos.

É angel da Victoria’s Secret e já desfilou para marcas como  Prada, Balmain e Louis Vuitton.

Ela é também acadêmica de economia e ciências políticas pela prestigiada Universidade de Columbia, em Nova York. E acredita que ser destemida, neste momento, é ser honesta.

Foi assim que ela iniciou sua palestra esclarecedora de 9 minutos no TEDx series of talks. Respondendo de uma forna nada usual as perguntas que sempre fazem às modelos. Segundo Cameron, ela teve sucesso nessa profissão por ter “ganhado na loteria genética” e ser “beneficiária de um legado”, legado este de opressão de raça e gênero. A beleza descrita é branca, magra, alta e esguia. Exatamente como Cameron é.

“Eu estou nesse palco, porque eu sou uma mulher branca e bonita, e na minha indústria nós chamamos isso de uma ‘garota sexy’”.

A Vogue é uma das principais publicações mundiais quando se trata de jornalismo de moda. Leitura obrigatória dos que aspiram em trabalhar na área, influencia diversas gerações, não apenas de compradores, mas como também de produtores do meio.  Na versão brasileira, da revista originalmente norte americana, a palestra dada por Cameron foi relatada com diversas descontextualizações, desmerecendo o relato da modelo e o chamando até mesmo de “infame”.

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A grande questão é: ela falou alguma mentira?

Infame é sinônimo de desacreditado, sem honra, irrelevante e indigno.

Quando alguém que apenas tem a ganhar com sua profissão admite que, na verdade, nada disso é justo lhe falta dignidade? Ao meu ver, continuamente intrometido, refletir sobre a sociedade em que se vive é um dos passos para que ela seja transformada.  Questionar, descordar e principalmente, alertar os que desconhecem as verdades sobre o assunto são ações daqueles que de alguma forma serão agentes transformadores em seu meio.

O jornalismo, ao menos na teoria, se personifica na busca pela verdade. Quando uma modelo diz a verdade e é a mídia quem se revolta, o que esta mídia está realmente buscando?

Você pode ler este e outros posts no Blog Indumentária. 

O exército da PRADA

                                                                                                                  Reportagem: Bruna Morais    Edição: Daniel Souza

Logo: divulgação

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A grife italiana, fundada em 1913, detém um dos maiores impérios da moda que já se viu na história. Na época de seu lançamento trabalhava apenas com acessórios de luxo, como malas de viajem e bolsas, mas com o passar do tempo foi construindo peças que deram vida às grandes coleções que faturam hoje cerca de 3,2 bilhões de euros por ano.

Os irmãos Mario e Martino Prada, fundadores da marca, não admitiam que mulheres se envolvessem nos negócios da família, porém foi a filha de Mario, Luisa Prada, quem comandou a grife por quase 20 anos e é a neta dele, Miuccia Prada, quem desenha as coleções até hoje. Além disso, Miuccia trouxe a grife o que ela mais precisava: Ousadia. Ousadia estampada nas campanhas publicitárias, nas peças, na arquitetura das lojas e na identidade da marca.

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Miuccia Prada estilista da grife

A Prada já vestiu desde o Papa – nesse caso calçou-o – até o Diabo, e diante de tudo isso só ganhou no quesito status, chegando ao ponto da editora da Vogue americana, Anna Wintour, declarar “PRADA é o único motivo para alguém assistir à temporada de moda em Milão”.

Com exatamente cem anos de vida a grife têm mais que histórias para contar, têm em cada bolsa e sapato, um pedaço da moda que percorre o mundo, enchendo os olhos de seus admiradores.

E é claro não podemos deixar de lembrar que nesse ano Curitiba ganha uma filial da loja no recém-inaugurado Shopping Pátio Batel.

Foto: divulgação

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